Fotógrafo traz exposição sobre quilombolas para Sergipe | F5 News - Sergipe Atualizado

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Fotógrafo traz exposição sobre quilombolas para Sergipe
O baiano Avaro Villela fez os retratos na Chapada Diamantina, na Bahia
Variedades 13/11/2019 07h37 - Atualizado em 13/11/2019 12h53 |


Com expressivos e reveladores retratos de habitantes de comunidades quilombolas da Chapada Diamantina, na Bahia, o fotógrafo baiano Avaro Villela estará em Sergipe com sua exposição Faces nesta quinta-feira (14). A mostra faz parte da programação da 36º edição do Festival de Artes de São Cristóvão (FASC).

Após ser apresentada no PhotoEspaña, em 2011, como parte de uma coletiva itinerante de fotógrafos latino-americanos, em Salvador em 2015, e no Rio de Janeiro em 2017, a exposição Faces trará para Sergipe, 14 retratos em preto e branco de moradores das comunidades de Barra e Bananal, descendentes de escravos fugitivos de um navio negreiro naufragado na costa sul da Bahia, no século 17.

Fotógrafo etnográfico, como comprova o seu projeto desenvolvido junto aos índios Pankararé, do Raso da Catarina, Alvaro Villela aproximou-se das comunidades quilombolas da Chapada Diamantina em 2007 no intuito de entender e documentar suas tradições culturais e religiosas e verificar se elas ainda preservavam traços ancestrais.  

No entanto, diante da percepção de que tais heranças foram diluídas no interior de certos maneirismos, inclusive com a presença de religiões que não eram de matriz africana, Villela vislumbrou no retrato uma forma de discutir tal distanciamento da cultura ancestral.

Após anos de interação com as comunidades, ele improvisou um estúdio na casa de uma moradora local   entusiasta do projeto. Apesar da resistência inicial, Villela utilizou um fundo negro e a iluminação gerada por uma tocha fotográfica, fotografou residentes de todas as idades, os quais acabaram se rendendo ao se verem retratados.

Passados dez anos desde a primeira incursão de Alvaro aos territórios quilombolas, Faces, não apenas pela força das suas imagens, como também pelas dificuldades e desafios enfrentados por tais comunidades, se apresenta como um ato de resistência e de afirmação de certos valores do povo negro que ainda hoje busca um espaço digno no Brasil.

Apesar de consciente do viés antropológico e sociológico da exposição, Alvaro Villela também destaca em Faces o seu sentido enquanto expressão artística contemporânea, de uma composição que ganha força a partir da percepção de quem elaborou e construiu as imagens juntamente com o desprendimento de quem pousou, de quem invocou através da expressão uma ancestralidade perdida.

Além das 14 fotos em tamanho grande (80x 120 cm), na exposição o público vai se deparar com uma carta de alforria datada do século 19 e devidamente transcrita, que faz parte do acervo dos artistas plásticos Joãozito Pereira e Lanussi Pasquali. A peça é originária do Recôncavo baiano, onde havia forte presença de escravos nos séculos passados.

Histórico

Nascido em Salvador, em 1960, Alvaro Villela tem uma trajetória sempre marcada por uma incessante busca do que se chama de imagem autoral, algo que ele fez explorando territórios ocupados por coisas ou pessoas que o inquietavam e o fascinavam.

Não apenas em Faces, que retrata rostos de habitantes de comunidades quilombolas da Chapada Diamantina, a sua busca pela “expressão” se notabiliza em dois livros fotográficos de sua autoria: A Natureza do Homem no Raso da Catarina (2006) e Careta, Quem é Você (2014).

Entre 1980 e 2000, o artista habitou em Aracaju, onde foi presidente do DCE da Universidade Federal de Sergipe, em 1982, além de dirigente do PC do B, partido que ajudou a reconstruir no estado. No período, inclusive, ele começou a desenvolver o seu olhar fotográfico, forjado naqueles tempos de intensa ebulição política. O artista Alvaro Villela tem obras expostas em coleções de museus importantes, como a Rayko's Permanent Collection, no Rayko Photo Center, em São Francisco, nos EUA, desde 2011, no Photographer's Network, Siegen, na Alemanha, desde 2009, e no Museu do Homem do Nordeste, no Recife, desde 2008.

 

Fonte: Ascom

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