SE é único estado a não ter Juizado da Violência Doméstica
Cotidiano 30/08/2012 21h24 |Por Allana Andrade
Com encenações e palestras, o público que está participando do evento “Mulheres e Homens Trabalhando Contra a Violência Doméstica e pela Paz” pode conferir situações usuais no cotidiano de muitas mulheres, entre elas os casos de violência e as dificuldades para chegar à denúncia.
“O evento está mostrando que infelizmente as mulheres que sofrem violência tentam esconder, com medo do que pode acontecer de mais grave depois”, explicou Elenilde Navarro, coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM) em Sergipe.
Durante a programação que segue até esta sexta-feira, 31, palestras e conversas sobre o tema. Na tarde desta quinta-feira, 30, o promotor de justiça Elias Pinho falou sobre os avanços e dificuldades da Lei Maria da Penha
Segundo ele, a 1ª Vara dos grupos vulneráveis, por exemplo, não é exclusiva para as mulheres. "A Vara hoje está estrangulada, só da Lei Maria da Penha são 1100 processos; somando com crianças, jovens e idosos, temos 1614 processos. Isso faz com que a sensação de impunidade seja grande. Está faltando criar o Juizado da Violência Doméstica, só Sergipe não possui esse órgão", criticou.
Apesar disso, Elias Pinho reconhece que muitos já foram os avanços, principalmente com relação às denúncias. “Nas medidas protetivas de urgência, funciona bem. Em até 48 horas o agressor é afastado da residência e, se descumprir a lei, é decretada a prisão”, afirmou.
Mas não só as mulheres receberam atenção no local. Uma palestra sobre masculinidade e a forma de criar os homens chamou a atenção do público. O palestrante foi Cleib Lubiana, secretário Executivo da Rede Acreana de Mulheres e Homens do Acre. “Tratei aqui do tema masculinidade, as formas de socialização e criação dos homens e também as influências de diversos atores que muitas vezes geram um comportamento machista”, explicou.
A iniciativa foi vista como positiva por Sílvia Ribeiro Albuquerque, diretora do Centro de Capacitação Profissional para Mulheres de Nossa Senhora do Socorro que atende quase 50 mulheres. “Maravilhoso, o evento é riquíssimo, acho que a gente tem que trazer a família para participar de discussões e não só focar nas crianças. Porque não adianta cuidar dos jovens se os pais não tiverem os cuidados necessários para manter a casa em união”, argumentou.
