Capivaras se multiplicam em Aracaju e preocupam autoridades
Deputada cobra ações de manejo enquanto bióloga alerta para riscos à saúde e reforçam orientações de convivência Cotidiano | Por F5 News 07/09/2025 15h00 - Atualizado em 08/09/2025 08h20 |O aumento do número de capivaras em áreas urbanas de Aracaju foi tema de debate na Sessão Plenária da Assembleia Legislativa de Sergipe. A deputada Kitty Lima (Cidadania) destacou a preocupação com a presença dos animais na cidade e defendeu a adoção de medidas de manejo que garantam tanto a segurança da população quanto a proteção da fauna.
“A gente está vendo o crescimento desordenado de capivaras em áreas urbanas da cidade e isso é uma preocupação, tanto para os animais quanto para a população”, disse a parlamentar.
Kitty informou que oficiou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) para obter informações sobre as ações de manejo em andamento. “Esse manejo é necessário, evitando desequilíbrios ecológicos e conflitos urbanos. Não podemos deixar do jeito que está. Precisamos ter uma resposta”, afirmou.
Expansão urbana e impactos ambientais
Em entrevista ao F5 News, a bióloga, Maracy Alves Silva, foi consultada e explicou que as capivaras são animais semiaquáticos que vivem próximos a cursos d’água, como rios, lagos e manguezais. O avanço da urbanização em áreas como os bairros Jabotiana e Aruana, que abrigavam vegetação nativa e serviam de habitat natural, tem forçado os animais a se aproximarem das zonas habitadas.
Segundo a especialista, a perda de áreas verdes e a redução da oferta de alimentos contribuem para esse movimento. Outro fator apontado é a diminuição de predadores naturais, como jacarés, que favorece o crescimento da população de capivaras nas regiões urbanas.
Orientações à população
A bióloga destacou a importância de manter distância dos animais. “Nunca se deve tentar tocar ou alimentar a capivara. Apesar de parecerem dóceis, são silvestres e podem reagir de forma agressiva”, alertou.
Além disso, as capivaras podem transmitir doenças como raiva e leptospirose, e ainda servir de hospedeiras para o carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. Em casos de risco ou quando o animal estiver em situação de perigo, a orientação é acionar a Adema, órgão responsável pelo manejo da fauna em Aracaju.
Para especialistas, a convivência pacífica depende de ações de monitoramento e preservação das áreas de ocorrência, além de campanhas de conscientização que reforcem a necessidade de evitar o contato direto com os animais.
O que diz a Adema?
A Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) realiza o resgate de animais silvestres a partir de chamados realizados pela população. Em alguns casos, quando os animais estão em vida livre, em seus habitats naturais, o resgate não é recomendado, a menos que os animais estejam em locais em que ofereçam risco para si mesmos ou para a comunidade. No entanto, devido à expansão imobiliária e à grande aproximação de condomínios e conjuntos residenciais às áreas verdes onde residem, a circulação de capivaras vem sendo registrada de forma frequente em alguns pontos da capital.
Diante disso, de acordo com o presidente Carlos Anderson Pedreira, a Adema está adotando algumas providências, a começar pelo mapeamento das áreas com maior frequência de aparecimento de capivaras em circulação urbana. "Estamos fazendo um levantamento das notícias de aparecimento de capivaras e chamados de resgate para mapear as áreas de maior incidência recente, que até o momento, parecem incluir a região da Jabotiana e Santa Lúcia e, com menor frequência, a Zona de Expansão. Entendemos ser inicialmente importante sinalizar essas áreas para que as pessoas estejam atentas à presença de animais silvestres e saibam como acionar os órgãos ambientais em caso de necessidade", afirmou o presidente.
Ainda de acordo com o gestor, a Adema irá oficiar a SMTT para estudar conjuntamente a eventual necessidade de alterações de velocidade em algumas vias com sinalizações apropriadas, para evitar novos acidentes, como os dois atropelamentos de capivaras recentes que ocorreram.
"E além disso, estamos planejando a realização de uma reunião ampliada, muito em breve, envolvendo todos os órgãos envolvidos no resgate de animais silvestres, além de instituições de pesquisa como a Universidade Federal de Sergipe e a Embrapa, a fim de fazer um diagnóstico mais aprofundado dessa questão e formar uma espécie de sala de situação para definirmos um plano de ação para garantir a proteção desses animais e também da população nas áreas de convergência", concluiu Carlos Anderson.
As capivaras são os maiores roedores do mundo. São herbívoros, se alimentam de grama e vegetações que ficam próximas aos rios, lagos e mangues. Segundo o veterinário da Adema, Daniel Allievi, é esses animais são frequentemente encontrados em Aracaju, porque a cidade é cortada por rios, mangues e lagos. "Então justamente na área urbana, esses animais estão sendo vistos, nesse ambiente favorável, que facilita a sua reprodução e alimentação", explica.
Daniel afirma que, no geral, são animais bem pacíficos, que não atacam seres humanos a não ser que haja alguma uma fêmea com filhotes. "São animais bem zelosos com suas crias. Nesse caso, a fêmea com filhotes pode achar que a presença humana pode configurar alguma situação de caça ou perigo. Então, ela pode defender o filhote, mas é uma situação rara de acontecer", assegura.
De todo modo, a recomendação da Adema é que, quando o cidadão encontrar um bando de capivaras, não se aproxime. "O indicado é aguardar a passagem do bando e não tentar intervir ou se aproximar. Uma característica comum: quando eles se sentem ameaçados, eles entram na água, no rio ou no mangue que estiver mais próximo. Eles formam um círculo dentro da água, em que ficam os machos dominantes e as fêmeas e os filhotes no centro, para protegê-los", afirma Allievi.
A Adema orienta a população a não manusear, alimentar ou medicar capivaras ou outros animais silvestres. Deve-se chamar os órgãos ambientais para fazer o resgate, através das equipes de profissionais devidamente capacitados para o manejo adequado. A equipe de resgate da Adema pode ser acionada pelo whatsapp (79) 99983-7148, todos os dias das 08h às 13h. Em caso de indisponibilidade da Adema, também é possível acionar a Polícia Ambiental pelo 190 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
